Um sobrenome, uma bancada

O Ramos Atelier existe desde 2013, mas o ofício que ele pratica é bem mais velho que isso. Veio de uma oficina de ourives do centro de São Paulo e atravessou uma geração inteira antes de virar escola.

De uma oficina de bairro a uma escola de bancada

  1. 01

    A oficina do centro, anos 1950

    Ginez Ramos trabalhava metal no centro de São Paulo quando ourivesaria ainda era assunto de oficina, não de vitrine. Ali se fundia, se laminava e se cravava com a ferramenta ao alcance da mão. Nada era documentado: o conhecimento passava por observação e correção, todo dia, na altura da bancada.

  2. 02

    A virada de Luciano, 2013

    Luciano Ramos vinha da publicidade e voltou para a oficina do pai como aprendiz — na ordem certa, começando pela lima. Quando fundou o atelier, tomou uma decisão que a família nunca havia tomado: abrir a bancada para gente de fora. O que era herança virou curso.

  3. 03

    O atelier em funcionamento, hoje

    Numa manhã comum o forno está aquecendo revestimento, alguém lixa um aro no primeiro curso e um casal solda as próprias alianças na bancada do fundo. Joalheiros formados alugam máquina por período. As três coisas acontecem a poucos passos umas das outras, e é assim que o lugar funciona.

O que o atelier defende

Quatro decisões de oficina que valem tanto para quem chega sem nunca ter tocado em metal quanto para quem já vive do ofício.

Ferramenta na mão desde o primeiro dia

Ninguém aprende ourivesaria assistindo. A teoria entra junto com a peça, enquanto a peça está sendo feita.

O erro faz parte do processo

Metal aceita recomeço. Uma solda mal feita se abre, se limpa e se refaz — e o aluno sai sabendo por que a primeira falhou.

Técnica antiga não é peça de museu

Keum boo, esmaltação e gravação a buril existem há séculos e continuam resolvendo problemas de projeto que máquina nenhuma resolve.

Oficina aberta

A bancada não fecha quando o curso termina. Quem quer continuar produzindo encontra as máquinas onde deixou.

A porta da oficina abre para quem quer trabalhar

Não é preciso ter experiência com metal para começar, nem currículo de joalheria para alugar bancada. É preciso querer sujar a mão de limalha.